domingo, 31 de maio de 2020

Lá no céu

Hoje, de novo:

- Papai, eu não quero ficar velhinha, não quero morrer...

- Ah, minha filha, é bom... [Contanto que eu vá antes, por favor...]

- Por que, papai?

- Porque a gente vai pro céu. Lá é bom demais!

- Mas eu não quero ficar velhinha lá no céu.

- No céu todo mundo é criança, minha filha.

- Mas criança de que tamanho, papai?

- Do tamanho que você quiser.

- E que tamanho você vai querer ter?

- Vou querer ser do teu tamanho, 6 anos de idade! [só tenho boas lembranças dessa época].

- Não, o papai vai ter 7 anos! – disse a mãe.

- Não, com 7 anos eu só chorava. Quero ter 6 anos! Quem escolhe isso sou eu! – retruquei.

- E você, mamãe, vai querer ter quantos anos?

- Também vou querer ter 6 anos, minha filha – respondeu a mamãe.

- E como você era com 6 anos, papai?

- O que eu era não importa. Só importa que eu era feliz. Serei uma mistura de tudo de bom que tem de bom em seus melhores amigos, minha filha.

- Então eu, você e mamãe seremos grandes amigos? A mamãe disse que parecia uma indiazinha quando tinha 6 anos...

- Já somos grandes amigos, minha filha... Mas não sei por quem eu serei mais apaixonado. Se por você ou por sua mãe. Se por você, que é um anjo, sempre foi, e é sublime, perfeita, ou por sua mãe, que é a menina mais linda do mundo, que mora lá na beira do rio...

quarta-feira, 27 de maio de 2020

"Sou diferente"

- Suas amiguinhas também tomam teté [mamam no peito], filha?

- Não.

- Como você sabe que não?

- Fulaninha e sicraninha falaram que só mamam na mamadeira.

- Você falou pra elas que toma teté?

- Não.

- Por que não falou, filha?

- Porque eu tenho vergonha. Eu sou diferente...

terça-feira, 26 de maio de 2020

Machucado no dedinho e velório

Ah, essas espontaneidades maravilhosas da infância... Minha filha machucou o dedo indicador em um brinquedo, no parquinho. Foi seu primeiro machucado com sangue. Foi um escândalo: berrou sem parar durante uns 7 minutos ou mais. Lilian lavou o local, passou Merthiolate, e botou um pequeno curativo. Voltamos para o parquinho, e ela foi recebida por mais de meia dúzia de crianças. Em fila, uma a uma, a abraçavam, em silêncio, em sinal de condolências. Cena típica de velório. Impressionante...

O céu das crianças

Hoje, de novo:

- Papai, eu não quero ficar velhinha, não quero morrer...

- Ah, minha filha, é bom... [Contanto que eu vá antes, por favor...]

- Por que, papai?

- Porque a gente vai pro céu. Lá é bom demais!

- Mas eu não quero ficar velhinha lá no céu.

- No céu todo mundo é criança, minha filha.

- Mas criança de que tamanho, papai?

- Do tamanho que você quiser.

- E que tamanho você vai querer ter?

- Vou querer ser do teu tamanho, 6 anos de idade! [só tenho boas lembranças dessa época].

- Não, o papai vai ter 7 anos! – disse a mãe.

- Não, com 7 anos eu só chorava. Quero ter 6 anos! Quem escolhe isso sou eu! – retruquei.

- E você, mamãe, vai querer ter quantos anos?

- Também vou querer ter 6 anos, minha filha – respondeu a mamãe.

- E como você era com 6 anos, papai?

- O que eu era não importa. Só importa que eu era feliz. Serei uma mistura de tudo de bom que tem de bom em seus melhores amigos, minha filha.

- Então eu, você e mamãe seremos grandes amigos? A mamãe disse que parecia uma indiazinha quando tinha 6 anos...

- Já somos grandes amigos, minha filha... Mas não sei por quem eu serei mais apaixonado. Se por você ou por sua mãe. Se por você, que é um anjo, sempre foi, e é sublime, perfeita, ou por sua mãe, que é a menina mais linda do mundo, que mora lá na beira do rio...

domingo, 17 de maio de 2020

Sonhar com uma criança

Estou adorando a fase atual de minha filha, com 6 anos de idade. Hoje, em pouco mais de uma hora de conversa, comecei instigando-a, dizendo-lhe que eu era um alienígena que veio para a Terra para ter uma filha, que ela era metade humana e metade alien, com capacidades telepáticas. Pedi-lhe que escolhesse em qual mente gostaria de entrar.

- Na sua e na da mamãe.

- Aí não vale, filha. Porque nessas mentes você já entra o tempo todo.

- E você, papai. Quer entrar na mente de quem?

- Quero entrar na mente dos presidentes do Brasil e dos EUA.

- Por que dos EUA, papai?

- Porque é o país mais poderoso do mundo.

- Quero morar nos EUA, papai...

- Hum, minha filha... Talvez não seja boa ideia... Apesar de que NY, hein... Hum, NY talvez não fosse má ideia por um tempinho...

Conversamos sobre várias coisas de NY, do Natal, e fomos para a cidade de Wuppertal, na Alemanha. Entramos no Youtube e viajamos naquele trem, por cima da cidade.

- Wuppertal tem gosto de chocolate, filha. Quando olho pra essa cidade sinto gosto de chocolate.

Aí fomos visitar imagens e vídeos de chocolates belgas, sonhando com cidades de brinquedo, com neve, chocolates e passeios.

- E Veneza, hein, minha filha, é uma cidade linda, sobre a água.

Caímos em um vídeo, sobre a construção de Veneza, que começava com imagens sobre a evolução humana. Daí para ver vídeos sobre evolução humana foi um pulo, com direito a suspense, medo e choro, porque humanos fugiam de tigres dentes-de-sabre.

Um samba do crioulo doido, que começa com aliens e telepatia, para ir viajando assim, por diversos temas aparentemente desconexos, inclusive a culinária tailandesa.

- Ah, como amo a culinária tailandesa, minha filha!

- Onde você comeu comida tailandesa, papai?

- Nunca comi, minha filha. Mas é linda, linda... Só não é mais linda do que sonhar com uma criança...