Hoje, de novo:
- Papai, eu não quero ficar velhinha, não quero morrer...
- Ah, minha filha, é bom... [Contanto que eu vá antes, por favor...]
- Por que, papai?
- Porque a gente vai pro céu. Lá é bom demais!
- Mas eu não quero ficar velhinha lá no céu.
- No céu todo mundo é criança, minha filha.
- Mas criança de que tamanho, papai?
- Do tamanho que você quiser.
- E que tamanho você vai querer ter?
- Vou querer ser do teu tamanho, 6 anos de idade! [só tenho boas lembranças dessa época].
- Não, o papai vai ter 7 anos! – disse a mãe.
- Não, com 7 anos eu só chorava. Quero ter 6 anos! Quem escolhe isso sou eu! – retruquei.
- E você, mamãe, vai querer ter quantos anos?
- Também vou querer ter 6 anos, minha filha – respondeu a mamãe.
- E como você era com 6 anos, papai?
- O que eu era não importa. Só importa que eu era feliz. Serei uma mistura de tudo de bom que tem de bom em seus melhores amigos, minha filha.
- Então eu, você e mamãe seremos grandes amigos? A mamãe disse que parecia uma indiazinha quando tinha 6 anos...
- Já somos grandes amigos, minha filha... Mas não sei por quem eu serei mais apaixonado. Se por você ou por sua mãe. Se por você, que é um anjo, sempre foi, e é sublime, perfeita, ou por sua mãe, que é a menina mais linda do mundo, que mora lá na beira do rio...