quarta-feira, 8 de julho de 2020

Questão de honra

Nesses dias frios, depois que a pessoa está deitada, quentinha, pode haver preguiça para se levantar.

- Filha, você esqueceu de colocar as meias. Vá lá buscar.

- Ah não, mamãe.... Tô tão quentinha aqui. Vai você, por favor... Vai ser uma honra pra você ir buscar as minhas meias!

domingo, 31 de maio de 2020

Lá no céu

Hoje, de novo:

- Papai, eu não quero ficar velhinha, não quero morrer...

- Ah, minha filha, é bom... [Contanto que eu vá antes, por favor...]

- Por que, papai?

- Porque a gente vai pro céu. Lá é bom demais!

- Mas eu não quero ficar velhinha lá no céu.

- No céu todo mundo é criança, minha filha.

- Mas criança de que tamanho, papai?

- Do tamanho que você quiser.

- E que tamanho você vai querer ter?

- Vou querer ser do teu tamanho, 6 anos de idade! [só tenho boas lembranças dessa época].

- Não, o papai vai ter 7 anos! – disse a mãe.

- Não, com 7 anos eu só chorava. Quero ter 6 anos! Quem escolhe isso sou eu! – retruquei.

- E você, mamãe, vai querer ter quantos anos?

- Também vou querer ter 6 anos, minha filha – respondeu a mamãe.

- E como você era com 6 anos, papai?

- O que eu era não importa. Só importa que eu era feliz. Serei uma mistura de tudo de bom que tem de bom em seus melhores amigos, minha filha.

- Então eu, você e mamãe seremos grandes amigos? A mamãe disse que parecia uma indiazinha quando tinha 6 anos...

- Já somos grandes amigos, minha filha... Mas não sei por quem eu serei mais apaixonado. Se por você ou por sua mãe. Se por você, que é um anjo, sempre foi, e é sublime, perfeita, ou por sua mãe, que é a menina mais linda do mundo, que mora lá na beira do rio...

quarta-feira, 27 de maio de 2020

"Sou diferente"

- Suas amiguinhas também tomam teté [mamam no peito], filha?

- Não.

- Como você sabe que não?

- Fulaninha e sicraninha falaram que só mamam na mamadeira.

- Você falou pra elas que toma teté?

- Não.

- Por que não falou, filha?

- Porque eu tenho vergonha. Eu sou diferente...

terça-feira, 26 de maio de 2020

Machucado no dedinho e velório

Ah, essas espontaneidades maravilhosas da infância... Minha filha machucou o dedo indicador em um brinquedo, no parquinho. Foi seu primeiro machucado com sangue. Foi um escândalo: berrou sem parar durante uns 7 minutos ou mais. Lilian lavou o local, passou Merthiolate, e botou um pequeno curativo. Voltamos para o parquinho, e ela foi recebida por mais de meia dúzia de crianças. Em fila, uma a uma, a abraçavam, em silêncio, em sinal de condolências. Cena típica de velório. Impressionante...

O céu das crianças

Hoje, de novo:

- Papai, eu não quero ficar velhinha, não quero morrer...

- Ah, minha filha, é bom... [Contanto que eu vá antes, por favor...]

- Por que, papai?

- Porque a gente vai pro céu. Lá é bom demais!

- Mas eu não quero ficar velhinha lá no céu.

- No céu todo mundo é criança, minha filha.

- Mas criança de que tamanho, papai?

- Do tamanho que você quiser.

- E que tamanho você vai querer ter?

- Vou querer ser do teu tamanho, 6 anos de idade! [só tenho boas lembranças dessa época].

- Não, o papai vai ter 7 anos! – disse a mãe.

- Não, com 7 anos eu só chorava. Quero ter 6 anos! Quem escolhe isso sou eu! – retruquei.

- E você, mamãe, vai querer ter quantos anos?

- Também vou querer ter 6 anos, minha filha – respondeu a mamãe.

- E como você era com 6 anos, papai?

- O que eu era não importa. Só importa que eu era feliz. Serei uma mistura de tudo de bom que tem de bom em seus melhores amigos, minha filha.

- Então eu, você e mamãe seremos grandes amigos? A mamãe disse que parecia uma indiazinha quando tinha 6 anos...

- Já somos grandes amigos, minha filha... Mas não sei por quem eu serei mais apaixonado. Se por você ou por sua mãe. Se por você, que é um anjo, sempre foi, e é sublime, perfeita, ou por sua mãe, que é a menina mais linda do mundo, que mora lá na beira do rio...

domingo, 17 de maio de 2020

Sonhar com uma criança

Estou adorando a fase atual de minha filha, com 6 anos de idade. Hoje, em pouco mais de uma hora de conversa, comecei instigando-a, dizendo-lhe que eu era um alienígena que veio para a Terra para ter uma filha, que ela era metade humana e metade alien, com capacidades telepáticas. Pedi-lhe que escolhesse em qual mente gostaria de entrar.

- Na sua e na da mamãe.

- Aí não vale, filha. Porque nessas mentes você já entra o tempo todo.

- E você, papai. Quer entrar na mente de quem?

- Quero entrar na mente dos presidentes do Brasil e dos EUA.

- Por que dos EUA, papai?

- Porque é o país mais poderoso do mundo.

- Quero morar nos EUA, papai...

- Hum, minha filha... Talvez não seja boa ideia... Apesar de que NY, hein... Hum, NY talvez não fosse má ideia por um tempinho...

Conversamos sobre várias coisas de NY, do Natal, e fomos para a cidade de Wuppertal, na Alemanha. Entramos no Youtube e viajamos naquele trem, por cima da cidade.

- Wuppertal tem gosto de chocolate, filha. Quando olho pra essa cidade sinto gosto de chocolate.

Aí fomos visitar imagens e vídeos de chocolates belgas, sonhando com cidades de brinquedo, com neve, chocolates e passeios.

- E Veneza, hein, minha filha, é uma cidade linda, sobre a água.

Caímos em um vídeo, sobre a construção de Veneza, que começava com imagens sobre a evolução humana. Daí para ver vídeos sobre evolução humana foi um pulo, com direito a suspense, medo e choro, porque humanos fugiam de tigres dentes-de-sabre.

Um samba do crioulo doido, que começa com aliens e telepatia, para ir viajando assim, por diversos temas aparentemente desconexos, inclusive a culinária tailandesa.

- Ah, como amo a culinária tailandesa, minha filha!

- Onde você comeu comida tailandesa, papai?

- Nunca comi, minha filha. Mas é linda, linda... Só não é mais linda do que sonhar com uma criança...

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Dona Maria

Conversa profunda, metafísica, aqui com minha filha, de 6 anos, hoje à tarde. E assim (depois das origens do Homo sapiens, de passarmos pelos dinossauros e a origem da vida) chegamos ao Big Bang.

- Mas, papai, e a Dona Maria.


Por alguns segundos fiquei pensando em qual seria a relação profunda do início do universo, do início de tudo, com a Dona Maria ou o seu Zé da esquina.


- Que Dona Maria, minha filha?


- A Dona Maria, mãe do Jesus. Se ela é a mãe de Deus, deve tá aí antes do Big Bang, uai...

sábado, 7 de março de 2020

A história da vida privada dos monarcas e a ética da reciprocidade.

Aula de hoje: história da vida privada dos monarcas e ética da reciprocidade.

Luisa chorava, se sentindo pressionada, porque a mãe lhe disse que estava na hora de tomar banho sozinha e outras coisinhas mais.

- Filha, você quer viver pra sempre como um reizinho?

- Como assim, papai?

- Reizinhos é que não fazem nada sozinhos. Até para limpar o bumbum tem alguém que vai lá e limpa o bumbum do cara.

Como estávamos no banheiro, sentei no vaso, imitei um reizinho fazendo cocô e chamando um servo para limpá-lo, o servo chegando e fazendo serviço.

O choro se transformou em risadas, com o rostinho cheio de lágrimas.

- E daqui a pouco eu vou fazer cocô, viu, filha. Espera aqui no banheiro. Não sai, não, que eu quero que você limpe meu bumbum.

- Ai, credo, papai...

- Uai, a gente não limpa seu bumbum todos os dias. Você também vai ter de limpar o nosso. Que tal?

Ficou bem esperta. Está um pouco alegremente horrorizada, porque sempre ri, bastante, quando menciono a possibilidade de reciprocidade. Hoje pela primeira vez aceitou, com bom humor, com tranquilidade, que daqui pra frente tomará banho sozinha.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Ela quer um irmãozinho

Saindo com ela, da escola, olho pelo retrovisor e vejo um biquinho:

- O que foi, minha filha? Por que você tá com esse biquinho?

Desabou a chorar.

- Tô pensando no meu irmãozinho, que não tenho. Eu ainda quero muito ter um irmãozinho, papai...

- Vamos então combinar uma coisinha, minha filha? Se você se acalmar, se você parar de chorar, o papai vai comprar um chocolatinho pra você...

Fiquei por um tempinho abraçado com ela. Até que seu choro pelo menos ficasse um pouquinho mais calmo.

Tínhamos de parar no caminho. Havia algumas compras a serem feitas, em farmácia e supermercado. Alguns minutos depois:

- Papai, eu já não tô chorando mais. Eu já tô bem calminha. Você poderia me comprar o chocolatinho?

Então comprei-lhe um chocolatinho pequenino, bem bobinho, com 70% de cacau, que ela comeu saboreando cada pedacinho, e depois lambendo os beiços.

Depois fizemos mais algumas compras, e vi que havia, na prateleira da farmácia, um chiclete daqueles grandes e bonitos, sem açúcar. Ela olhava para eles de modo fixo, sedenta para experimentar aquilo.

- Isso é chiclete de rico, minha filha. Olha só como esse chiclete é caro. Você quer experimentar?

Compramos o chicletinho, e ela veio saboreando-o no carro. Olhei pelo retrovisor. A carinha era de alegria. Olhava para mim sorrindo, e disse:

- Muito, muito, muito obrigado mesmo, papai! Você não tem ideia do tamanho do obrigado que eu tenho pra te dar...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

18 de fevereiro de 2020

Minha mãe tem a língua muito afiada. É horrível. O saldo é de muita gente ferida, irreversivelmente. Sozinha num estádio, com um microfone na mão, teria a capacidade pra fazer a torcida inteira do Flamengo ir embora, chorando. Minha filha infelizmente, por vezes, demonstra capacidade semelhante. Hoje, na hora do almoço:

- Mamãe, essa comida tá com gosto de ração de cachorro, misturada com xixi.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

17 de fevereiro de 2020

Hoje de manhã Luisa pediu para assistir ao novo filme dos Smurfs. Uns 30 minutos depois entrou no quarto, onde estava a mãe, com uma cara horrível, os olhos marejados e os lábios tremendo, em nítido esforço para conter o choro. Lilian a abraçou.

- O que aconteceu, minha filha?

E o abraço, com a pergunta, foi o suficiente para ela desabar no choro e exclamar:

- Mãe, que filme triste... Ai, que filme triste! O Gargamel é muito mal.

Eu estava no trabalho. Lilian assim me escreveu: “Só pude ficar abraçando mesmo... Primeira vez que vejo alguém chorar por conta do Gargamel. Depois eu pedi para ela me explicar a parte que a fez chorar e, junto comigo, ela se acalmou."

domingo, 16 de fevereiro de 2020

15 de janeiro de 2020

Minha filha chegou em casa cantando uma musiquinha cristã que aprendeu na escola:

"Forte e corajoso como Sansão / Amigo de Deus como Abraão / Muito inteligente como Seu Lobão..."

Opa... "Seu Lobão"? Como assim?

Depois fui ver. Ela entendeu que seria Seu Lobão, mas na verdade é Salomão.