Saindo com ela, da escola, olho pelo retrovisor e vejo um biquinho:
- O que foi, minha filha? Por que você tá com esse biquinho?
Desabou a chorar.
- Tô pensando no meu irmãozinho, que não tenho. Eu ainda quero muito ter um irmãozinho, papai...
- Vamos então combinar uma coisinha, minha filha? Se você se acalmar, se você parar de chorar, o papai vai comprar um chocolatinho pra você...
Fiquei por um tempinho abraçado com ela. Até que seu choro pelo menos ficasse um pouquinho mais calmo.
Tínhamos de parar no caminho. Havia algumas compras a serem feitas, em farmácia e supermercado. Alguns minutos depois:
- Papai, eu já não tô chorando mais. Eu já tô bem calminha. Você poderia me comprar o chocolatinho?
Então comprei-lhe um chocolatinho pequenino, bem bobinho, com 70% de cacau, que ela comeu saboreando cada pedacinho, e depois lambendo os beiços.
Depois fizemos mais algumas compras, e vi que havia, na prateleira da farmácia, um chiclete daqueles grandes e bonitos, sem açúcar. Ela olhava para eles de modo fixo, sedenta para experimentar aquilo.
- Isso é chiclete de rico, minha filha. Olha só como esse chiclete é caro. Você quer experimentar?
Compramos o chicletinho, e ela veio saboreando-o no carro. Olhei pelo retrovisor. A carinha era de alegria. Olhava para mim sorrindo, e disse:
- Muito, muito, muito obrigado mesmo, papai! Você não tem ideia do tamanho do obrigado que eu tenho pra te dar...
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