domingo, 16 de junho de 2019

24 de maio de 2015

A cor dos olhos e o espanto filosófico

É muito importante para a postura filosófica a capacidade de se espantar com o mundo, como se a tudo percebesse pela primeira vez.

Um olhar que se espanta é um olhar que percebe algo diverso do olhar comum. É um olhar renovado, ou primeiro. Um olhar puro, ingênuo, despido das contaminações cotidianas, das influências mais próximas.

Pode ser o olhar de uma pessoa em estado alterado de consciência (e nessa medida podemos pensar de fenômenos que vão dos sonhos ao uso de drogas), de uma criança, o olhar do louco, do bêbado ou até mesmo a percepção que animais não-humanos teriam.

Não é gratuita a inspiração que o movimento romântico sempre teve em relação a tudo o que é olhar e forma marginal de existência. Daí seu elogio à marginalidade expressa no fazer artístico, no uso de drogas, na rebeldia, nas ações cotidianas de animais não-humanos e das crianças, enfim, no elogio de tudo o que é diferente e inusitado.

Hoje, mais uma vez, uma criança (com 7 anos de idade) teve um olhar surpreendente em relação aos olhos de minha filha:

"O olho dela é diferente" - a maioria das pessoas diz que os olhos dela são bonitos.

"É diferente como?" - perguntei, pois ela poderia estar falando de várias características possíveis, desde o tamanho até a forma dos olhos.

"A cor! É diferente."

"E que cor você acha que são os olhos dela?"

"Não sei."

E os adultos não hesitam em dizer: "Que lindos esses olhos azuis dela!"...
25 de fevereiro de 2015 

Duas crianças aqui no condomínio onde moro fizeram comentários engraçados (ou até um pouco tristes, talvez) sobre a cor dos olhos de minha filha:

- Eu tenho inveja dela - disse um menino de 8 anos de idade.
- Nossa, por quê?
- Porque ela tem o olho azul. Tomara que mude...

- Eu queria ser ela - disse o outro, de 6 anos de idade.
- Como assim? Por que você queria ser ela?
- Ah, eu queria ter o olho azul. Eu nunca tive olho azul...
12 de novembro de 2017 

Lições de anatomia:

- Pai, qual é o nome de onde sai o cocô?

- Bumbum.

- Não, pai, eu quero saber o nome de lá de dentro do bumbum, do buraquinho de onde sai o cocô...
27 de maio de 2017 

- Suas amiguinhas também tomam teté [mamam no peito], filha?

- Não.

- Como você sabe que não?

- Fulaninha e sicraninha falaram que só mamam na mamadeira.

- Você falou pra elas que toma teté?

- Não.

- Por que não falou, filha?

- Porque eu tenho vergonha. Eu sou diferente...
8 de novembro de 2016

A maiêutica é uma técnica fecunda, poderosa para a produção de conhecimento, e também muito divertida. Isso é facilmente observável na interação com crianças.

Ontem eu estava no parquinho do condomínio, com minha filha, e três crianças dialogavam como se fossem adultas: duas com 6 anos e outra com 9 anos de idade.

- Passou agora no Jornal Nacional: o Estado Islâmico invadiu duas cidades - dizia o menino de 6 anos.

- E quais cidades o Estado Islâmico invadiu? - perguntei.

- Invadiu duas cidades dos Estados Unidos.

- O que é o Estado Islâmico?

- Eles são terroristas!

- O que é terrorista?

- É gente que mata as pessoas.

Como fiz muitas, e outras perguntas além dessas poucas que transcrevo aqui, como se eu não soubesse absolutamente nada a respeito do que eles estavam conversando, o de 9 anos me indagou:

- Poxa, tio! Você não sabe nada!

Jogou um chinelo no chão e me perguntou o que era aquilo, e eu prontamente respondi que era um chinelo:

- Pô, pelo menos isso você sabe né, tio... Pelo amor de Deus!

- E por que o nome é Estado Islâmico? Se eles são terroristas e matam pessoas, o nome teria que ser Estado Matador, não?

Ficaram um tempo meio atônitos, sem conseguir me responder. O mais velho continuava intrigado com minha aparente ignorância:

- Poxa, tio, você faz cada pergunta...

Até que o menino de 6 anos teve um brilhante insight:

- É islâminico, tio, por causa de lâmina. Eles cortam as pessoas!
2 de agosto de 2015 

Aquele serzinho, que está há um ano e meio nesse mundo, fala uma ou outra palavrinha isolada, mas compreende um monte de coisas das quais você não tem a menor ideia de que ele seja capaz.

Estávamos uma vez, há mais de um mês, eu e minha filha, assistindo ao Tom e Jerry. Era a primeira vez que ela assistia a esse desenho. Um grande leão havia fugido do circo, e se abrigado na casa de Tom e Jerry, se tornando um grande amigo do rato. No final Jerry inclusive o auxilia a pegar um navio de volta à África, onde voltaria a ser livre.

Quando o navio está partindo, Jerry se despede, acenando com um lencinho na mão, em lágrimas. Minha filha aponta para a tela e chora junto, com um choro verdadeiro e sofrido, com lágrimas. Acho que essa foi a primeira produção cinematográfica que a embalou, a envolveu, com a qual ela se emocionou junto.

E ninguém havia explicado a ela que o leão estava indo embora, que aquilo era uma despedida. Claro, ela detesta despedidas. A palavra que não deve ser dita aqui em casa é “tchau”, principalmente se você estiver andando em direção à porta de saída. Mas ela foi capaz de generalizar os gestos para uma representação pictórica bem específica. Para isso muitas crianças da sua idade são capazes, e é exatamente disso que nós nos esquecemos.

Nunca calibramos muito bem. Civilizações antigas, crianças e animais não-humanos: quando pensamos nessas três categorias sempre tendemos a errar em nossas estimativas. Os antigos são sempre subestimados, e há até teorias conspiratórias a afirmar que não fizeram o que fizeram de grandioso – seria obra de extraterrestres. Crianças e animais que não amamos também são subestimados. Com amor na jogada a estimativa costuma se inverter.

E também, há poucos dias, a televisão estava ligada em algum noticiário esportivo. Ao observar a cena de um jogador fazendo um gol, levantando os braços e comemorando, ela também levantou os braços, saiu comemorando e, para botar uma cereja no bolo, gritando gol. E olha que aqui em casa ninguém comemora gol, ninguém se liga muito em futebol pela televisão, pois sempre preferi jogar a assistir.

Isso tudo é muito divertido...
3 de dezembro de 2017 

Minha filha está com uma percepção muito aguda das mais variadas expressões impróprias, para crianças, as quais costumo proferir, quando estou indignado:

- Papai, você falou um palavrão. Não pode...

Tenho ouvido isso várias vezes ao dia. Estou achando melhor respirar fundo primeiro antes de expressar qualquer tipo de indignação. Ainda bem que não sou chegado em ficar torcendo pra time de futebol...
5 de agosto de 2015 

Dessensibilização progressiva

Eu e minha filha assistimos novamente àquela cena de Tom e Jerry na qual Jerry se despede de um leão amigo, com um navio que vai partindo, até desaparecer no horizonte. Jerry acena com um lencinho, com algumas poucas lágrimas a escorrer de seu rosto.

Para a minha surpresa ela reconheceu o que estava sendo representado, e apontou para a tela, chorando, se emocionando sofrida e verdadeiramente com a cena.

Assistimos então a esse episódio pela segunda vez e o efeito foi mais ameno. Sua boquinha se entortou em expressão de choro, com os lábios tremendo e os olhinhos marejados. Mas não chorou. Aguentou firme. É, a gente vai se acostumando com algumas durezas da vida...
23 de outubro de 2016 

Café da manhã da Luisa, de anteontem: macarrão (puro, sem molho e sem qualquer tipo de mistura) e água.

Café da manhã de hoje: seu achocolatado (o qual é feito com cacau em pó puro, açúcar mascavo e composto lácteo) e para poder digerir bem tudo isso: alface com sal, muita alface com sal...

Não basta ser um café da manhã pobre, sem variedade, não é minha filha? Tem que ser um pouquinho exótico...
14 de novembro de 2014 

Há poucos dias estávamos eu e minha filha sentados num banco de madeira, desses grandões, com encosto, parecido com aqueles de praça. Ela estava em pé, se segurando no encosto. Eu deixei meus braços em volta dela, protegendo-a. Ela queria tocar, morder e explorar absolutamente tudo, sem qualquer cuidado.

- Cuidado, filha, vá devagar. O banco é duro, pode machucar.

Essa situação se transformou instantaneamente em uma metáfora para a vida e, com um tom já um pouco triste, emendei:

- Cuidado, filha, vá devagar... Pega leve, pega firme e não confia demais, porque a vida é dura, muito dura.
12 de março de 2014 

Hehehe... Acabei de andar talvez alguns quilômetros com um "saco de arroz" nos braços no corredor interno de meu prédio (o qual tem 50 metros), pra lá e pra cá, várias e várias vezes. Sim, minha filha gosta que eu caminhe com ela nos braços, fora do apartamento. Lá fora, ao ar livre, está ventando muito e ela estava com pouca roupa e não deu tempo de pegar o sling. Deu tempo somente de fugir correndo com ela antes que tudo se explodisse rs...
30 de novembro de 2017 

AMOR INCONDICIONAL

Memória de elefante:

- Mamãe, sabe por que eu gosto muito do papai?
- Por que, filha?
- Por que ele gosta de mim mesmo quando eu não gosto dele!

Tive essa brevíssima conversa com Luisa há mais de um mês. Nem imaginava que fosse se lembrar disso.
24 de janeiro de 2017 

Quando preciso falar alguma coisa para minha esposa que minha filha não pode saber, falo em inglês. Isso ocorre com uma certa frequência, e Luisa sabe que é inglês e imita:

- Brodibrow bribreideid...

Hoje, em seu primeiro dia de aula, foi apresentada à professora de inglês:

- Filha, essa aqui é tia fulana, professora de inglês!

Não perdeu tempo:

- Brodibrow bribreideid!
7 de junho de 2017 

Como não descobrimos isso antes? Estamos fazendo um tratamento homeopático com nossa filha, o qual está funcionando muitíssimo bem! Está dando muito certo! Estamos comprovando a eficácia da coisa na prática, na vivência diária dos benefícios que a homeopatia pode proporcionar!

Aqui em casa, todos os dias, é a mesma coisa. Minha filhotinha, de 3 aninhos, sempre recusa a mamadeira com achocolatado, dizendo que está ruim. A mamadeira volta para a cozinha e a gente finge que acrescentou mais açúcar, dando somente uma mexidinha com a colher. Ela pega a mamadeira e diz que agora está bom, que agora está uma delícia. É alegria e paz garantidas, e o bucho cheio por umas duas horas!
21 de abril de 2018 

Luisa está fascinada com sua nova descoberta: o mundo das piadas! Estamos nos divertindo, porque ela está numa fase um pouco bizarra, de criação de suas próprias piadas:

- Como é que é que a cortina conseguiu falar com o bebê que faz gugu dadá, mãe?

- Como, filha?

- Porque ela tinha boca de marshmallow! - e caiu na gargalhada.
16 de agosto de 2016 

Ganhei um presente muito lindo no dia dos pais, mas hesitei em compartilhar aqui a informação, com receio de que algum espírito de porco tivesse algum olhar maldoso em relação à minha narrativa. Mas mesmo assim vou falar desse presente. Se aparecer algum espírito de porco pra me encher o saco, no mínimo, claro, apagarei seu comentário.

No sábado, na véspera do dia dos pais, Lilian estava colocando Luisa para dormir. E Luisa, com dois anos e meio, ainda mama no peito. Luisa só dorme mamando no peito, e eu acho isso muito lindo e muito bom, tanto pra ela quanto pra Lilian.

Toda noite, ao mamar para dormir, Luisa sussurra algumas coisas para a mãe. Geralmente ela fala de alguma coisa que aconteceu durante o dia. E nesse último sábado eu brinquei muito com ela:

- Mamãe, neném tá feliz...

- Por que o neném tá feliz?

- Papai brincou neném...

Voltou a mamar e dormiu, feliz. E eu também, muito, muito feliz. E quando Lilian me contou isso, chorei de emoção, de alegria, como estou chorando agora ao lhes contar sobre esse meu presente de dia dos pais...
20 de julho de 2016 

Fase do tomate. Quase todos os dias, na hora do almoço, minha filha diz que quer “mais tomate”. E eu estou ligado na dosagem, aliás na overdose da coisa: ontem ingeriu 220 gramas de tomate, sendo que ela pesa 11,5 kg. Se ela pesasse 70kg teria comido um quilo e meio de tomate, sem sal, logo depois de já ter comido um pouco do almoço.
15 de outubro de 2014 

Ver um filho chorando sofrido, dói fundo na gente. Às vezes é até mais doído do que a dor da qual o próprio filho padece.

Agora há pouco minha filha chorou, cheia de lágrimas e um choro muito sofrido. Cheguei no quarto e minha esposa me explicou toda a situação, dizendo que era algo parecido com birra.

Por impulso, por puro impulso, olhei bem pra carinha, cheia de lágrimas, do nosso bebê, e dei uma gargalhada. E, surpresinha boa: ela me retribuiu com um sorriso enorme a iluminar instantaneamente o rostinho que segundos antes chorava...
15 de junho de 2016 

Minha esposa estava com um livro infantil nas mãos, contando uma estória para minha filha. Já contou essa estória pra ela várias vezes. Contudo a própria narradora se esqueceu do nome de um dos personagens, confundindo-o. O nome é Damião e minha esposa falava Tião. Mas ela mesma não tinha prestado atenção se era João, Tião ou Damião.

E não é que o serzinho ouvinte, que ainda fala de forma toda atrapalhada e cômica, o qual é muitas vezes preterido como uma pessoa capaz de compreender vários detalhes da realidade, se apercebeu da troca e chamou atenção de sua mãe:

- Não! Não! Não! É Damião!
21 de junho de 2014 

Minha filha acordou agora há pouco. Dormiu das 20:30 até às 23 hs. Começou mal: somente 2:30 hs na primeira etapa. Mas como Lilian já dormia. Fui pajear a bebê. Nossa, foi lindo. Ela ficou me olhando fixa e tranquilamente no silêncio e na penumbra da noite por vários minutos. De vez em quando sorria, do nada, da simples contemplação silenciosa e serena de nosso amor. O tempo parou e navegamos por todo o cosmos daquele instante, da viagem do amor a se reproduzir em sonhos e voos para além de nós mesmos. Dizem que isso é a eternidade...
10 de maio de 2017 

3 anos e 3 meses de idade...

- Nossa, minha filha, como você é branquinha...

- Não, papai, eu não sou branca. É cor de pele. Você também não é branco. A gente é claro. A gente tem a pele clara.
21 de janeiro de 2017 


Os melhores amigos de minha filha, que irá completar 3 anos de idade daqui a dois dias, são meninos. Com meninas a coisa é pura rivalidade e brigas e, como ela é menorzinha, sempre apanha. E um trio de menininhos aqui do condomínio é uma graça, com 8, 6 e 4 anos. São muito carinhosos e a protegem sempre. Vêm aqui em casa, os três, juntos, e batem na porta para chamá-la para brincar. Hoje vieram dois:



- Ela não vai poder agora. Precisa primeiro comer. Despois disso desço com ela, ok?, expliquei-lhes.



Antes de virarem as costas, o de 6 anos delicadamente afagou o rostinho dela e lhe beijou a mão, como um cavalheiro do século XIX a cumprimentar uma dama. O de 4 fez a mesmíssima coisa.
14 de fevereiro de 2016 

Não posso deixar de registrar alguns momentos divertidos que já tive com Luisa, minha filha, nesse ano de 2016.

No início de janeiro, e já há alguns meses, ela estava naquela fase dos "nãos". Respondia "não" pra tudo, com uma pronúncia bem anasalada, a qual tornava a expressão similar a um miado. Podíamos perguntar qualquer coisa pra ela que a resposta era sempre a mesma: "Luisa, você quer comer, tomar banho, ir passear, comer chocolate, tomar sorvete...?" e o gatinho não hesitava: "Naumm...! Naumm...! Naumm..!".

Um dia, logo de manhã, com ela mais calminha, em meus braços, abraçada comigo, em um momento de dengo, de carinho, estávamos olhando um para o outro, vivendo nosso chamego, nosso amor, e com voz bastante serena eu lhe disse:

- Papai ama muito você filhinha, muito... Você ama o papai?

Era muito mais provável que ela me dissesse não, como sempre fazia, para tudo nessa vida. Ela contudo continuou olhando fixamente pra mim, com ar contemplativo, e somente balançou a cabecinha em sinal de sim...

No dia seguinte toda a cena se repetiu, e novamente fiz a mesma pergunta. Não exitou, me respondendo com um belo e sonoro "Naum", saindo correndo e dando gargalhadas.

Dias depois ela brincava, sozinha. Nessa brincadeira, com alguns bonequinhos, somente três palavras existiam e se repetiam incessantemente: "Papai, mamãe, totói!". Nada mais fundamental do que isso: seus dois amores, os dois pilares afetivos da sua existência (papai e mamãe) e dodói, a dureza da vida. O amor para combater as durezas dessa vida...

E há poucos dias ela estava brincando com com dois de seus três novos bonequinhos, dois dinossauros. O Tiranossauro Rex era o papai e o outro, herbívoro, com expressão mais calma, mais tranquila, era a mamãe...
01/02/2017

Criança pequena fala como criança pequena, e é muito bonitinho. Mas há palavras que são distorcidas de modo singular, e isso tem variação individual, de criança pra criança. Minha filha, com sua pronúncia própria, criou algumas palavras que são uma marquinha dela nesse universo da linguagem.

Fantasma é pitomas; negocinho é cotocinho; dragão é cagon; ônibus é ômbibus; aeroporto é pii-pôto e helicóptero é epipóto.
03/02/2019

"Não existe almoço grátis"...

Aqui em casa são comuns expressões como "eu te amo muito", "meu amor é do tamanho do universo", e várias outras que acabam se transformando numa brincadeira com minha filha, para se expressar o tamanho do amor entre nós.

E como ela está aprendendo os números e as quantidades, começou a inserir números: "eu te amo 1000", "eu te amo 2000", "eu te amo 40000". E ontem, com a mãe, ela foi além:

"Eu te amo 40 mil reais!"
3 de fevereiro 

Agora há pouco minha filha dizia assim para a mãe:

- Eu sou médica.

- Mas você é médica de gente ou de animal?

- Sou médica de gente, médica de criança. Eu sou pediatra. Mas já não sou mais.

- Por quê?

- Porque eu tô grávida. E a bomba pode estourar a qualquer momento, e o bebê nascer...
1 de fevereiro de 2015 

Minha filha adora pegar alguns livros da coleção “Os pensadores” da estante da sala, a qual fica ao seu alcance. Agora há pouco, daqui do escritório, ouço minha esposa perguntar assim, em alto e bom tom:

- Tomás de Aquino é muito importante pra você, Adriano?

Acho que vocês já podem deduzir o que pode ter ocorrido, não?

Mas, sem problemas, Tomás de Aquino definitivamente não tem nem nunca teve qualquer importância acadêmica pra mim...

Chupa, Tomás de Aquino!

PS: Claro, tiramos da mão dela, antes que algo pior ocorresse. Foi somente uma babadinha em cima... Acontece.
8 de abril de 2018 

Ontem fui ao aeroporto pegar um familiar que acabara de chegar à Brasília. O trânsito estava um pouco conturbado e eu me dividia, nessa situação, em dirigir, dar atenção ao familiar, lhe mostrando e lhe falando de cada canto da cidade, e dar atenção também à minha filha, de 4 anos, a qual, claro, queria constantemente participar da conversa. Quando de repente passamos em frente ao Setor Policial e, do outro lado da pista, o cemitério:

- Papai, o que é cemitério? O que é isso?
Estou até agora tentando encontrar a melhor forma de conversar com ela sobre isso, com as devidas correções e revisões em minha primeira e precipitada explicação de ontem porque, antes de dormir, ela mencionou que jamais iria para o cemitério, e que estava com medo de dormir. Ela já sabe que bichinhos e pessoas morrem, e imagina que vão todos para o céu. Percebe que os corpos dos bichinhos mortos ficam inertes, mas ainda não generalizou esse conceito para o corpo humano. Viche... e neste exato momento ela está cantando aqui na janela, para a vizinhança inteira ouvir:

- Toda a família vai morrer... E a gente vai morrer sim... Oh, yeis... oh, yeis...
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12 de dezembro de 2018 

Minha filha tem somente 4 anos de idade, mas já me envia mensagens escritas pelo WhatsApp...
18 de fevereiro 

Minha filha fez um desenho muito singelo. Minha esposa pensou que fôssemos e eu e ela lançando para o céu uma pomba branca, tal como uma pomba da paz.

- Filha, o que você desenhou aqui?

- Esses dois aqui são você e o papai, correndo atrás de uma galinha, pra matar e a gente comer na hora do almoço...
2 de agosto de 2016 

Isso ocorreu há mais de dois meses. Um menininho, com cerca de 4 anos de idade, estava em um balanço no parquinho, brincando perto de minha filha, e ele cantava assim:

"A linda rosa juvenil, juvenil, juvenil,
A linda rosa juvenil, juvenil, juvenil! ..."

Ele cantava a canção todinha. E dias depois pego minha filha cantando assim:

"A linda rosa do vovô Nil, vovô Nil,vovô Nil,vovô Nil!!"

É que o avô materno de minha filha, meu sogro, se chama Juvenil...
20 de agosto de 2016 

Minha esposa foi fazer exame de sangue. E minha filha está numa fase de extrema curiosidade. Porém, infelizmente, Lilian estava com pressa e não pudemos ir juntos. Luisa ficou comigo, querendo saber o que sua mãe tinha ido fazer. Eram tantas, mas tantas perguntas, que começamos vendo um monte de coisas na internet sobre sangue, como é, o que é, pra que serve, que está presente em todos os vertebrados...

Ela nunca viu sangue, ao vivo. Já foi picada para coleta de sangue porém, como faz tempo, não se lembra mais disso. Então, como sua curiosidade não acabava, esterilizei bem as minhas mãos e as dela, assim como o alfinete, com o qual tentei me furar, na frente dela.

Mas fiquei com preguiça de fazer isso, de furar-me. Então segurei sua mãozinha e deixei que ela mesma tentasse fazer o serviço, picando minha mão onde quisesse. Ela perguntou se faria dodói. Eu lhe disse que era um dodói bem pequeno. Não escondi que não haveria dodói, e ela não conseguiu me furar ao ponto de tirar sangue. Um dia ela consegue e, em algum outro dia, com menos pressa, presenciará o papai ou mamãe sendo picados no laboratório, antes que ela mesma seja um dia picada dessa maneira.
26 de maio de 2018 

Ah, essas espontaneidades maravilhosas da infância... Minha filha machucou o dedo indicador em um brinquedo, no parquinho. Foi seu primeiro machucado com sangue. Foi um escândalo: berrou sem parar durante uns 7 minutos ou mais. Lilian lavou o local, passou Merthiolate, e botou um pequeno curativo. Voltamos para o parquinho, e ela foi recebida por mais de meia dúzia de crianças. Em fila, uma a uma, a abraçavam, em silêncio, em sinal de condolências. Cena típica de velório. Impressionante...
11 de fevereiro de 2018 

Minha filha está uma populista fofa de mão cheia. Já acorda assim:

- Papai, sabia que você é lindo? Te amo! Meu maior presente é minha família!

Não sei onde ela aprendeu essa sequência fulminante de falas. Talvez tenha sido obra dela juntar cada uma dessas frases, as quais, no combo, possuem essa força marqueteira que amolece nossos corações logo cedo. E esse “você é lindo” também vem sempre depois de alguma coisa errada que tenha feito. Lula, fica esperto!
16 de março de 2017 

Faz mais de mil dias que minha filha nasceu. E foram, até hoje, mais de 1001 noites em que Lilian nunca deixou nossa filhota dormir sem amamentá-la. São 1148 noites seguidas em que Luisa vem mamando no peito, sem uma única falta, em todos esses dias. E nessas mais de mil noites, Luisa sempre acordou, no meio da madrugada, para mamar mais. Até uns 2 anos de idade, ou mais, acordava em média umas 3 vezes para mamar. Sei que ela mama agora e dorme, para daqui a 4 ou 5 horas acordar e mamar de novo; para depois dormir mais umas 3 ou 4 horas e acordar de vez e, claro, sem antes dar sua mamada final. Em média são 3 mamadas por noite. Perdi as contas do tamanho do amor de Lilian por ela, e do meu amor (mesmo que todo torto) pelas duas.
29 de novembro de 2018 

Agora há pouco, durante o banho, minha filha, de 4 anos, me fez várias perguntas que demandam explicações baseadas na evolução das espécies, na seleção natural:

"Pai, por que que os homens tem mais pelos do que as mulheres?; Por que as crianças têm menos pelos do que os adultos?; Por que a piranha tem dentes afiados?; Por que as cobras botam ovos?; Por que as cobras têm veneno? Eu quero ter uma cobra..."

"Não dá para termos uma cobra, minha filha. Elas são muito perigosas."

"A gente cria ela dentro de uma gaiola."

"E quem é que vai depois limpar essa gaiola?"

E fui, com tranquilidade, deixando ela também tranquila, falando de evolução biológica, adaptação, sucesso reprodutivo, seleção natural e predação. E nós dois, no Google Earth, por várias vezes já demos várias voltas em torno da Terra, assim como já assistimos alguns desenhos animados sobre aquecimento global e uma série de outros assuntos para os quais muita gente adulta, orgulhosa de sua ignorância, torce o nariz.
23 de janeiro de 2017 

Quando minha filha não quer fazer alguma coisa, começo a contar uma estorinha assim:

- Era uma vez uma criança que...

Depois desse “que...” eu coloco o comportamento desejável, e falo do quanto essa criança era linda e vivia em um mundo lindo. No começo as estórias eram um pouco mais longas e ela sempre perguntava:

- Essa criança sou eu, papai?

- Não sei...

Aí ela se comporta do modo desejável e pergunta de novo:

- Essa criança sou eu, papai?

- Nossa, filha, você tá fazendo igualzinho àquela criança linda. Você também é muito linda, minha filha!

Hoje, já fazendo birra, queria que eu a carregasse por todo o trajeto de volta para a casa. Além dela eu também carregava muitas outras coisas e estava muito pesado pra mim.

- Era um vez...

Pulou do meu colo, foi andando sozinha, e nem esperou que eu terminasse a frase.

- Sou eu, né, papai? Sou eu!

- Você é linda, minha filha...
24 de setembro de 2017 

Hoje acordei de repente, às 4 da manhã. Minha filha chamava por mim - coisa rara, pois ela acorda todas as manhãs por volta de 5:30, e sempre chama pela mãe. O chamado dela interrompeu um sonho que tenho tido repetidamente, de variadas formas, há quase 20 anos. São sonhos com meu finado irmão, Edu (morto em 1998), cuja data de nascimento é a mesma que de minha filha. Ambos nasceram em 23 de janeiro. Ontem Luisa completou 3 anos e 8 meses e Edu completaria 47 anos e 8 meses.
8 de dezembro de 2018 

Minha filha de vez em quando ouve a mãe falando que os meninos também podem brincar de boneca, ou de papai, mamãe e filhinho, porque isso vai na verdade até colaborar para que sejam bons pais. Mas aí minha filha teve a ideia de pegar o celular da mãe, e mandar uma mensagem em áudio para a avó dela, minha mãe:

- Vó, você sabe se meu pai brincava de boneca? Porque eu acho que ele não brincava de boneca, pra treinar e cuidar melhor de mim. Ele às vezes fica bravo, e fala alto comigo, quando ele tá no computador...

Então vocês, pais, fiquem certos de uma coisa. Saibam que é muito importante que seus filhos homens também brinquem bastante de boneca, ou de papai, mamãe e filhinho. Porque isso aí serve como um treino e, no futuro, vai fazer com que eles sejam bons pais, viu!

7 de julho de 2018 

E meu dia amanheceu sorrindo... Luisa acordou contando o que aconteceu, durante sua noite de sono:

- Papai, eu tive um sonho bem legal! E aconteceu tudo aqui dentro do meu céboro. Eu sei onde fica o céboro. Fica aqui na testa...
9 de março 

Minha filha, Luisa, gosta muito de dar ração na boca da Mel, que é a cachorrinha da vovó.

Ontem minha esposa fez um pão de batata doce, sem glúten. Não ficou muito bom. Luisa experimentou:

- Tá com gosto da ração da Mel.

- Você comeu a ração da Mel?

E Luisa ficou somente com aquela cara de cachorro que fez coisa errada, em vídeos que viralizam pela internet.
17 de maio às 12:39 

Imagine que você acorda de madrugada com sua filha de 5 anos de idade, sonâmbula, dizendo algo assim:

"Pereira! Para, Pereira! Não é assim! Poxa, Pereira..."

Luisa estava sonhando com alguém, e chamava essa pessoa pelo sobrenome. Estaria ela sonhando com algum policial militar ou alguém das forças armadas?

Muitos de vocês já devem ter logo formado a imagem de que esse Pereira seria um homem, adulto. Mas não. Pereira é somente um sobrenome fictício que criei, para não expor o verdadeiro nome da pessoa em questão.

E essa pessoa é uma amiguinha dela da escola. Como as duas têm o mesmo nome, na escola se chamam somente pelo sobrenome, e são também chamadas assim por todas as outras crianças e membros da comunidade escolar.

Então a minha Luisa é conhecida somente como Facioli. E a outra Luisa também é conhecida somente pelo sobrenome. Fica um pouco um clima de quartel, mas é bem divertido. As crianças se divertem com esse tom um pouco mais solene e adulto com que são tratadas.

Acho muito bonitinho uma criança de 5 anos de idade assumir um pouco, nesses jogos sociais, em seu ambiente escolar, a identidade de toda a sua família e ancestrais.
12 de março de 2018

Luisa contando para seu amiguinho como conseguiu fugir do monstro:

- Eu corri corri, e aí encontrei meus pais, e minhas mães, e fui correndo dá um abraço neles!
9 de fevereiro 

Luisa, agora há pouco:

- Eu quero sobremesa...

- Tem laranja, maçã, uva e pera.

- Eu só consigo pensar em doce... Não aguento mais proteína.
19 de fevereiro de 2018 

Luisa ensinando seu amiguinho mais novo a falar algumas palavrinhas difíceis:

- Ômbibus! [ônibus]

- Não sei falar isso, Luisa.

- Você consegue. Tenta, vai!

- Ômbidus!

- Isso! – e bate palmas.

- Coloa! [coroa]

- Clôa!

- Isso! – mais palmas.
2 de janeiro de 2017 

Luisa, ontem:

- Mamãe, o que é esse anel no seu dedo?

- É a aliança de casamento com o papai, filha. Depois que a mamãe se casou com o papai, botou essa aliança no dedo.

- Também quero casar com o papai!
10 de julho de 2018 

Há poucos dias eu trazia, da escolinha, Luisa e seu amiguinho, Lucas.

- Ali na frente tem um garrabamento - disse ele.

E ela emendou:

- Não é garrabamento, Lucas! É garrafamento! Assim você vai precisar ir naquele médico que ensina a falar. Vou falar pra tua mãe te levar no finaldiáugulo.
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11 de outubro de 2015 

Hora da faxina, uma faxina que dura dois minutos. Vestida à carater, com touca (calcinha) na cabeça e tudo. E tente tirar essa touca da cabeça dela pra você ver o que acontece...
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16 de junho de 2017 

Luisa está com 3 anos e 4 meses e tem feito muitos desenhos. Muito gostosinho vê-la evoluindo nessa habilidade que sempre foi tão preciosa para a nossa família...
28 de julho de 2018 

Hoje peguei o carro para resolver algumas coisas, e na volta entrei com Luisa em um parquinho, situado em um setor de chácaras, aqui perto de casa. Trata-se de um local muito bonito, com uma área verde, de mata, muito bem preservada, e com um parquinho imenso, inclusive com uma enorme casa na árvore.

Antes de irmos ao parquinho, Luisa já tinha me dito que também queria ir a uma igreja, pois nunca havia estado dentro de uma igreja antes. Como há uma igreja católica, aparentemente bonita, aqui perto, paramos por lá, na volta do parquinho.

Tanto o parquinho quanto a igreja estavam completamente vazios, e Luisa pode explorá-los à vontade. Quando a coloquei na cadeirinha do carro, para voltarmos para casa, ela me fez um pedido, que eu simplesmente não tenho a menor ideia de onde tirou essa ideia:

- Papai, eu quero um dia dormir na igreja! Um dia você me leva pra eu dormir na igreja?
17 de março de 2018 

Constrangedor. Eu e Luisa acabamos de cruzar com uma mulher, aparentemente muito vaidosa, com o corpo todo trabalhado, com aquelas roupas super coloridas e coladíssimas de ginástica, muito provavelmente indo para a academia. Seus cabelos, contudo, estavam tingidos com uma cor loira bem clarinha:

- Olha, papai, uma velhinha! - disse-me Luisa, apontando para a mulher.
19 de agosto de 2018 


Luisa já aprendeu a reivindicar seus direitos com uma expressão que ela sente como sendo a mais adequada: "Papai, me dá um pouco de atenção, por favor..."

Acabou de acordar aqui e eu nem recebi um bom dia. A primeira frase dela hoje foi: "dá uma atenção...", com aquela carinha lambida e safadinha daquele gatinho do Shrek, a pedir por um carinho.

Há poucos dias, inclusive, ela estava no quarto comigo, e começou a transferir seus brinquedos para a sala. Aí veio até mim e disse assim: "Papai eu tô levando todos os meus brinquedos lá pra sala, e eu quero você lá comigo, para me dar um pouco de atenção. Vamos lá, por favor?"
14 de março de 2017 

No último domingo tive de ir ao shopping aqui perto de casa, para trocar uma mercadoria que havia comprado com defeito, e Luisa foi comigo. Na volta:

- Papai, mamãe disse que ela é casada com você. Aí ela disse assim: Fia, quando você fo casá você vai te que casá com uma outra pessoa, porque o papai já é casado com a mamãe.

Confirmei para ela que era isso mesmo e expliquei como é que as coisas funcionam, mas de repente ela começou a chorar e disse:

- Mas eu gosto muito de você papai, eu gosto muito de você... - repetidamente e com um choro sofrido.

Dei-lhe um abraço forte, longo e muito gostoso, dizendo-lhe que eu também gostava muito dela, que o papai iria sempre gostar dela, que o papai a amaria para sempre.

Parou de chorar, mas ficou com a expressão triste até chegarmos em casa, fazendo inclusive com que o próprio vizinho percebesse que estava amuada. Quando chegamos contei toda a história para Lilian e ela me disse que tudo havia começado com Luisa, um dia antes, perguntando:

- Mamãe, o papai é seu primo?

- Não, filha. A mamãe é casada com o papai.

- Eu também sou casada com papai, mamãe?

E aí Lilian explicou que quando ela crescesse ela ia se casar com outra pessoa, caso ela assim o desejasse. Como Luisa não exibiu qualquer tipo de reação, e não tocou mais no assunto, Lilian não ficou cutucando.

Porém, meia hora depois do ocorrido, da pergunta dela na volta do shopping, Luisa ainda estava tristinha, amuada. E aí que Lilian teve uma boa ideia:

- Filha, você quer casar com o papai?

Ela respondeu que sim balançando a cabecinha.

- Então tá bom, filha. Vamos fazer agora o seu casamento com o papai!

Luisa sorriu e jogou os bracinhos pra cima, como se tivesse marcado um gol. Lilian ficou de frente para nós dois e fez o papel do juiz/padre:

- Papai, você aceita a Luisa em casamento, aceita casar com ela?

- Sim, aceito!

- Luisa, você aceita casar com o papai?

E ela somente balançava a cabecinha, concordando.

- Filha, tem que dizer "eu aceito!".

- Eu aceito! - empolgada, com o sorriso largo...

- Então eu declaro papai e Luisa casados!

E aí fizemos a maior festa!