sábado, 7 de março de 2020

A história da vida privada dos monarcas e a ética da reciprocidade.

Aula de hoje: história da vida privada dos monarcas e ética da reciprocidade.

Luisa chorava, se sentindo pressionada, porque a mãe lhe disse que estava na hora de tomar banho sozinha e outras coisinhas mais.

- Filha, você quer viver pra sempre como um reizinho?

- Como assim, papai?

- Reizinhos é que não fazem nada sozinhos. Até para limpar o bumbum tem alguém que vai lá e limpa o bumbum do cara.

Como estávamos no banheiro, sentei no vaso, imitei um reizinho fazendo cocô e chamando um servo para limpá-lo, o servo chegando e fazendo serviço.

O choro se transformou em risadas, com o rostinho cheio de lágrimas.

- E daqui a pouco eu vou fazer cocô, viu, filha. Espera aqui no banheiro. Não sai, não, que eu quero que você limpe meu bumbum.

- Ai, credo, papai...

- Uai, a gente não limpa seu bumbum todos os dias. Você também vai ter de limpar o nosso. Que tal?

Ficou bem esperta. Está um pouco alegremente horrorizada, porque sempre ri, bastante, quando menciono a possibilidade de reciprocidade. Hoje pela primeira vez aceitou, com bom humor, com tranquilidade, que daqui pra frente tomará banho sozinha.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Ela quer um irmãozinho

Saindo com ela, da escola, olho pelo retrovisor e vejo um biquinho:

- O que foi, minha filha? Por que você tá com esse biquinho?

Desabou a chorar.

- Tô pensando no meu irmãozinho, que não tenho. Eu ainda quero muito ter um irmãozinho, papai...

- Vamos então combinar uma coisinha, minha filha? Se você se acalmar, se você parar de chorar, o papai vai comprar um chocolatinho pra você...

Fiquei por um tempinho abraçado com ela. Até que seu choro pelo menos ficasse um pouquinho mais calmo.

Tínhamos de parar no caminho. Havia algumas compras a serem feitas, em farmácia e supermercado. Alguns minutos depois:

- Papai, eu já não tô chorando mais. Eu já tô bem calminha. Você poderia me comprar o chocolatinho?

Então comprei-lhe um chocolatinho pequenino, bem bobinho, com 70% de cacau, que ela comeu saboreando cada pedacinho, e depois lambendo os beiços.

Depois fizemos mais algumas compras, e vi que havia, na prateleira da farmácia, um chiclete daqueles grandes e bonitos, sem açúcar. Ela olhava para eles de modo fixo, sedenta para experimentar aquilo.

- Isso é chiclete de rico, minha filha. Olha só como esse chiclete é caro. Você quer experimentar?

Compramos o chicletinho, e ela veio saboreando-o no carro. Olhei pelo retrovisor. A carinha era de alegria. Olhava para mim sorrindo, e disse:

- Muito, muito, muito obrigado mesmo, papai! Você não tem ideia do tamanho do obrigado que eu tenho pra te dar...